A vida e suas contradições.
Momentos de alegria, momentos de tensões.
A menina alegre e sorridente mal a vê passar.
A menina triste e solitária a vê passar de forma lenta e degradante.
Quem não gostaria de ver a vida passar da forma que lhe coubesse?
Ter o domínio do tempo é um desejo almejado por todos.
"Ah! Agora eu quero dormir" ou "Agora quero dar um role... Mas não tenho tempo."
Téc! O tempo parou e foi prolongado. A vida foi vivida mais intensamente e o mundo parado não dava a mínima para o que estava acontecendo. Ele estava imóvel. Enquanto isso, um cidadão prolongava o seu tempo de vida tornando-a menos dolorosa, mais intensa - mais vida! Um peso recaía sobre o solo e o sol iluminava uma face plena.
Téc! Tudo voltava ao normal. Os carros corriam pelo asfalto, as pessoas se moviam em torno de sua rotina e de suas vidas vazias, os pássaros voavam, a terra girava e o relógio tal qual o dono do mundo a cada "tic-tac" marcava o tempo de vida de cada cidadão.
Tic-tac, quero fazer isso.
Tic-tac, quero fazer aquilo.
Mas não tenho tempo!
Téc!
Nada aconteceu
Téc,téc,téc!
Nada!!!
Depois do que havia acontecido, caiu na realidade e viu que tudo não passou apenas de ilusão.
O medo se alastrou.
O travesseiro afundou e nele uma lágrima quente produzida por olhos profundos caiu temendo as atrocidades que o tempo trazia. Desejou nunca ter nascido. E de repente, na face recaída eis que surge uma expressão meio esperançosa. Um sorriso. E ai percebeu que a ilusão nada mais era que a pura verdade.
Téc!
E tudo ficou escuro...
"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."
terça-feira, 21 de junho de 2011
E o tempo parou.
A vida e suas contradições.
Momentos de alegria, momentos de tensões.
A menina alegre e sorridente mal a vê passar.
A menina triste e solitária a vê passar de forma lenta e degradante.
Quem não gostaria de ver a vida passar da forma que lhe coubesse?
Ter o domínio do tempo é um desejo almejado por todos.
"Ah! Agora eu quero dormir" ou "Agora quero dar um role... Mas não tenho tempo."
Téc! O tempo parou e foi prolongado. A vida foi vivida mais intensamente e o mundo parado não dava a mínima para o que estava acontecendo. Ele estava imóvel. Enquanto isso, um cidadão prolongava o seu tempo de vida tornando-a menos dolorosa, mais intensa - mais vida! Um peso recaía sobre o solo e o sol iluminava uma face plena.
Téc! Tudo voltava ao normal. Os carros corriam pelo asfalto, as pessoas se moviam em torno de sua rotina e de suas vidas vazias, os pássaros voavam, a terra girava e o relógio tal qual o dono do mundo a cada "tic-tac" marcava o tempo de vida de cada cidadão.
Tic-tac, quero fazer isso.
Tic-tac, quero fazer aquilo.
Mas não tenho tempo!
Téc!
Nada aconteceu
Téc,téc,téc!
Nada!!!
Depois do que havia acontecido, caiu na realidade e viu que tudo não passou apenas de ilusão.
O medo se alastrou.
O travesseiro afundou e nele uma lágrima quente produzida por olhos profundos caiu temendo as atrocidades que o tempo trazia. Desejou nunca ter nascido. E de repente, na face recaída eis que surge uma expressão meio esperançosa. Um sorriso. E ai percebeu que a ilusão nada mais era que a pura verdade.
Téc!
E tudo ficou escuro...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Predestinada
Já era de se esperar que a vida não iria ser tão fácil assim.
A chuva caia forte, a casa estava com um tom macabro, as vidas lá dentro contorciam seus corpos, a chuva os deixava preguiçosos. Enquanto isso, no sótão da casa permanecia uma figura. As linhas do seu corpo eram retas, frágeis, estúpidas. Mas como não deveria de ser, ela só tinha doze anos, o corpo ainda não era formado. Ela olhava fixamente dentro de um baú e de dentro dele saia uma luz amarela ofuscante. Não dava para ver o que era exatamente, mas ela estava ali diante dele, ajoelhada, olhando para o seu interior. Observava-o tão fixamente, hipnotizada que se fosse um abismo com certeza haveria a suspeita de que sua intenção era saltar.
Um barulho de passos surgiu, rapidamente ela acordou do transe e fechou o baú colocando-o no lugar em que sempre ficava, escondido embaixo da mesa velha coberta com um lençol branco. Era a mãe dizendo que já era hora de dormir.
Ela foi, deitou e dormiu profundamente. Sonhou com seu baú.
No outro dia levantou cedo, uma das empregadas já esperava para ajudar a se lavar e a se trocar. Tomou seu café da manhã e foi para o jardim brincar com o irmão. Mais de 'tardezinha' após o almoço sentou em baixo de uma macieira e ficou a contemplar as nuvens brancas, gordas que se movimentavam de um lado para o outro. Pensou no seu baú. Queria muito estar com ele naquele momento, porém era arriscado demais alguns dos empregados, ou até mesmo o irmão poderiam sentir sua falta e quando fossem procurar poderiam descobrir o seu segredo, contar para os seus pais e ai tudo estaria acabado.
A melhor hora de ir visitá-lo era depois do jantar: O irmão já dormia, o pai sentava em sua poltrona e ia ler um livro, a mãe ia costurar. Quando todos da casa concentravam suas mentes em outra coisa que não ela era a hora certa de ir contemplar o seu querido baú dos sonhos. Era nele que guardava seus sonhos mais profundos, era ali que podia sonhar em segredo sonhos que na vida real sabia muito bem que eram impossíveis de serem realizados.
Porém um dia como outro qualquer aconteceu o inesperado. Subiu ao sótão como todas às noites fazia, quando levantou o lençol e tateou por debaixo da mesa procurando o seu objeto secreto levou um susto. Um grito. Ela não acreditava naquilo que os olhos não podiam ver e suas mãos não podia tocar: Ele não estava lá. A mãe e o pai subiram rapidamente e se depararam com a filha caída no chão, aos prantos. Perguntaram o que havia acontecido. Como estava muito fraca, pasma, enjoada apontou na direção do espaço em que vivia o seu baú e o pai logo percebeu o que estava acontecendo e disse que tinha o tirado dali. Ela levantou e se jogou sobre o pai, perguntando porque ele tinha feito aquilo. O pai logo respondeu: "O que você guardava lá dentro era muito perigoso, poderia dar ideias revolucionárias para a sua cabeça e você se tornaria uma pessoa estranha demais para a sociedade e até mesmo para nós. As empregadas um dia notaram a sua falta e foram lhe procurar. Uma delas viu você aqui mesmo contemplando um baú velho como se fosse um objeto inusitado e se assustou com o seu olhar. Disse-me que seus olhos estavam negros, parecia mais o demo. Fui verificar e encontrei um bando de barbaridades que pessoa nenhuma nesse mundo deveria pensar, ver ou ouvir. Então peguei aquele objeto inútil e o joguei no fundo de um lago negro para ter a certeza que nunca mais você ou qualquer outra pessoa teria contato". Ficou pasma.Ela não acreditava no que o pai tinha feito, ele havia destruído os seus sonhos. Deitou no chão em posição fetal e começou a chorar novamente. A mãe beijou-lhe a face e desceu junto com o pai deixando-a ali jogada como se fosse nada. Ai ela se lembrou que um descuido seu tinha gerado tudo aquilo. Em uma tarde não foi para o jardim brincar estava tão viciada no conteúdo do baú que teve de ir contemplá-lo. A culpa era dela, não devia ter ido, podia ter esperado até de noite só que a vontade era tanta que a possibilidade de que poderia ser pega foi reduzida, afinal seria só daquela vez!
Ficou uma semana lá, deitada olhando para o espaço vazio tentando de alguma forma preenchê-lo e preencher também o buraco que tinha sido aberto no seu coração. Ela não saberia o que ia acontecer nessa vida nova, amputada. Então, levantou-se, enxugou o rosto ensopado de lágrimas e foi rumo ao seu quarto. Tomou um belo banho, passou perfume, arrumou o cabelo, vestiu o seu melhor vestido e desceu. Cumprimentou com um belo "Bom dia!" as pessoas em volta da mesa. A mãe retribuiu com um sorriso, o irmão fingiu que não ouviu, o pai que lia o jornal apenas levantou os olhos por um momento. Então sentou-se a mesa e comeu como se nada tivesse acontecido.
Em meio a tanta indiferença ela sabia que sua realidade era aquela, viver os sonhos não seria possível pelo menos não naquele momento, com aquele família, com todos os valores que a rodeava naquele tempo.
Ela simplesmente se conformou. Sabia que não poderia mudar nada e viveu a vida que realmente havia nascido para viver...
(datado de:18-05-2011)
Indiferença
O pensamento se evade.
Enquanto isso, a alma cansada se arrasta pelo solo
e o homem ao seu lado finge que não a vê.
Atitudes incompreensíveis:
A alma arrasada se arrasta em círculos procurando respostas.
O homem abre a janela, acende um cigarro e fica ali a refletir.
Ambos seres opostos que na intimidade do seu interior se completam.
Porém, não conseguem perceber a importância que um exerce sobre o outro.
E assim continuam nessa jornada, sem a emissão de uma atitude se quer.
(datado de:03-11-2010)
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