"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."
sábado, 18 de outubro de 2025
Sentimento de Desaparecimento
Quando ouvirdes do obscuro: Curo a alma quando pertenço, questione-se atento: Pertenço a quê?
Não escute o que vem de lá, pode ser pedra no sapato, tiro pela culatra, julgamento com tormenta.
Atormenta a vivência, o dia a dia, a paz.
A paz que a gente busca que vem lá de dentro, mas está absorta como um antraz.
A gente olha paro lado e pensa: Será que sou só eu? Escondida no vazio, no vazio de dentro sem preenchimento para a languidez do ser. Mas o que vale é o apontamento, a disputa sem adendo sem considerar o que você realmente é.
O que importa é que eu não quero. Só queriría viver no claro desperto e calmo com a alegria que é viver.
Não obstante, louvado seja o desalento que martiriza por dentro o coração a desaparecer.
Angustia, ansiedade... um q de sentimentos que rasga meu ser. Vamos indo vivendo, adentrando mata adentro sem pensar no que querer.
O que eu quero não é palpável porque quem dita o provável é a vontade de não perecer.
É o meio que desatento desalenta nosso viver.
E quando eu não quero ser, nesse espaço tão vazio tão pequeno de se viver?
Não quero, e continuo não querendo, e que espaço buscaremos para confortar o nosso eu? Sem poder nos esconder vamos correndo contra o tempo e aproximando do sucumbir.
Não feneça eu lhes digo, tente buscar a consciência para ressuscitar quem se é. Mesmo não sabendo, continue sedento por dar sentido mesmo nos momentos de aflitos que corroem.
Eu não sei mais quem sou o que eu quero o que eu pretendo, nessa vida vou vivendo sem esperar muito. Desculpe meu rebento, não aguento tudo que a vida tem a me oferecer.
E assim vou indo nessa caminhada pedregosa sem saber o que fazer. Vou correndo, vou sentindo, me sustentando mesmo sem querer.
Que pena não é mesmo, tudo poderia ser mais fácil – não de mão beijada – mas mais palpável para o eu. E quem sou eu?
( datado de abril 2025)
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