quarta-feira, 26 de março de 2014

Atrofiando...

E quando é que acaba o desafio do corpo, o desalento do espírito?  O Tejo que escorre pelas mãos? A vida que se vai, e o nada que fica. Um espaço vazio no tempo, uma alma ferida. Tentar, de que adianta? Torcer, sem saber; esperar tanto sem nunca haver respostas nem soluções. Arriscar e arriscar, internalizar, conformar-se, andar pra frente... Tudo em vão!
Arrancar a pele, a carne, os ossos, o espírito! Arrancar tudo la de dentro, para apenas prevalecer a lacuna de um ser que desfloresce, desaquece, apodrece a cada minuto do tempo que se esvai. De que adianta vida?Que vida? Isso não existe!
Que corpo indecente, inconsequente, mal agradecido. De passado todos vivemos e o tivemos, as vezes, aprendemos outras, pagamos. Que pagamento duradouro e árduo, incapaz de abandonar o individuo que sofre calado e que desfalece mesmo com vida.
Sentido para quê? Ninguém necessita deter a sobrecarga de vida que não lhe pertence. O que é meu, só pertence a mim, e se escrevo é pra tentar amenizar as dores invisíveis e visíveis que me afrontam. Mas as vezes o melhor mesmo e se calar. Calar até mesmo pra si próprio porque as palavras podem ser um tiro no pé de quem as diz, e uma mancha no coração de quem as ouve.
Diante disto, só me resta declarar o fim.