domingo, 27 de outubro de 2013

O que vale é o pudor

O que é o corpo para o mundo se não a janela do pudor e caracterizador do ser a quem o pertence ou pertencente a ele!?Mas o que é pudor se não um pretexto criado pela sociedade para adentrar ainda mais à vida que não lhe pertence sendo tão insatisfeitas e desinteressadas pela sua própria. Confundem o corpo e a aparência como se fossem detentores da alma e do que aquele indivíduo realmente é! O que de bom conquistei na vida não há repercussão, na maioria das vezes, há o agouro, a inveja sob a minha alegria. O que vale é o que "desmoraliza" segundo os preceitos sociais, o escárnio e o que da pra comentar.
Julgamentos realizados fora de um tribunal, sem toga baseados no escárnio e no prazer em ver a desgraça alheia. E mesmo depois de tantos séculos, ainda é saudada a era dos jogos romanos, porque o que vale a pena é o gosto de sangue!
 E o pudor sendo algo tão valioso como é, não deixa de ser negligenciado cotidianamente. Falo grego? Ninguém gosta de transar, de fazer e ver sacanagem? Ta bom! Eu gosto, e eu sei que todo mundo gosta. Eu transo, tu transa, ele transa, nós transamos... Eu tenho seios, bunda, vagina; ele tem pênis. Então por que o tabu em torno disso? Esta achando ruim eu ser tão direta, e usar essas palavras? Porquê? Você também usa e desfruta de tudo isso!
A hipocrisia e o egoísmo é o que prevalece - Não admitirão ser aquilo que o são, mas quando o outro o for, o levarão ao tribunal e julgado ele será pelos crimes não constados na lei. É isso que acontece. Ninguém é corajoso o suficiente pra botar isso em pauta, medo de ser julgado. Pois se os julgamentos reais só ocorrem no tribunal, então porque eles acontecem também fora dele? Não tão simplesmente pelo prazer que isso causa ao acusador; é prazeroso o escárnio alheio desde que isso nunca lhe afete. Já dizia Hobbes: "O homem é mau!", e essa malevolesa transparece nitidamente no seu ser -E de repente se vê e ouve um riso sarcástico (só imaginem isso). 
Desculpem-me se quebrei suas expectativas e não fui quem você achava que eu fosse, se te constrangi ou formei uma ideia errada sobre mim pelo que fiz, mas admito: Eu fiz! Eu me expus mesmo que sem querer, e mesmo assim estou vivendo. Julguem-me pelo meu corpo e não pela minha alma. E afirmo, eu realmente não sou e nunca quis ser essa pessoa que você moldou. Eu sou melhor! Só que você nunca vai saber disso, mesmo porque eu não quero e porque você foi cegado pelo pudor. Continue cego que eu continuarei meu caminho. Valorize mais o corpo que a alma. Seja feliz com suas escolhas. O mundo realmente foi feito para você, só que infelizmente não foi feito pra mim, já que eu não me encaixo mais no que ele prega. Já fui, já foi liga o foda-se e continue vivendo. E não se esqueça, que quando apontares um dedo para uma pessoa, três apontarão em sua direção: um dia pode ser eu, mas amanhã pode ser você quem sabe!




segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mataram o meu riso

O sorriso estampado na cara de muitos passou a ser a minha desgraça,minha sina. A tempos não tenho o riso -mas digo aquele rir verdadeiro, puro, natural- como algo prevalecente em minha vida, na verdade meu corpo chora por fora e por dentro, e esse choro na maioria das vezes é vazio, vazio como o vácuo. Parece invejoso esse sentimento que aflora dentro de mim, porém é uma inveja boa eu garanto. Uma inveja de ter aquilo que parece fugir constantemente do meu ser : paz, felicidade e sorriso. Fico a pensar se algum dia poderei rir: rir pro nada, rir da vida, rir pelo simples prazer e vontade de rir!!! Queria ter vontade de sorrir, entretanto só o que me vem é o engasgo do choro que insiste em permanecer- e não permanece atoa eu lhes garanto. Eu queria que minha dor fosse apenas fruto do meu cotidiano, só que não é! É fruto do que passou, é fruto do que eu adquiri, é fruto do que ainda esta por vir...
Se você é um ser feliz eu te admiro, como contemplo o sol que nasce de manhã, o cheiro que fica depois de uma tarde chuvosa. Pois permaneça assim meu bem, você com certeza é um ser de um todo abençoado. E para aqueles que estão assim, nessa sofridão sem fim como eu, seja pelo motivo que for, só te devo meus pêsames porque eu sei o quanto é dolorido, e essa vontade constante que dá de partir o mais rápido possível para nunca mais ter que sentir tamanho desconforto.
É o tempo que me castiga e me faz refém, só aumento esse meu estado de langor. Eu só queria poder dizer adeus, e assim permanecer em paz, comigo e com tudo a minha volta, contudo existe o medo que me retraí e segura. Será que eu sou merecedora disto tudo? Será que todas as pessoas do universo que passam por mesma situação o são? O que é certo e o que é errado eu já não sei, porque o que me parece é que você nunca vai acertar em nada, nunca na vida. Só peço a Deus que me perdoe pelos meus pecados, e eu me pergunto se foram tão graves assim para eu poder merecer passar por tudo isso? Talvez eu mereça, talvez eu tenha sido pessoa de má índole no passado. Porém, Ele é o Ser supremo, e só cabe a Ele nos dar a sina que merecemos.
Eu queria que tudo isso fosse coisa dramática; drama de um ser humano em crise existencial, só que não é! Tudo isso é tão real, é tão palpável que se materializou em minhas mãos. Eu posso tocar, sentir e viver como poste que se configura na minha frente. Quebrei a cara e agora compadeço. Um ser tão jovem por fora e ao mesmo tempo tão velho por dentro. Me desfiz por completo e agora só aguardo pelo meu fim, espero que não dure muito, que não seja tão dolorido; e se alguma coisa aqui mudar, se alguma rosa ousar nascer desse solo bichado e putrefato eu escreverei contanto dessa alegria, se em algum momento minha boca e bochechas ousarem a esticarem para os lados pura e espontaneamente. Mas por enquanto, não há razões para escrever sobre jardins, apenas sobre ambientes hostis.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Fui pra Marte!

Hoje vou partir, vou partir para marte talvez eu não volte nunca mais. Está muito difícil e doído. Eu não suporto mais me ser, vou me transportar e sumir de vez. Não quero despedidas, não quero adeus, não quero nada. A única coisa que queria era paz mas parece que ela não foi feita para estar presente na minha vida. Peço perdão a aqueles que magoei, que feri; peço perdão aos meus entes queridos que sentirão a minha falta - mas eu não suporto mais; peço perdão a Deus por ser tão egoísta e achar que meus problemas devem ser colocados sempre a frente, devem compor o primeiro lugar porém, peço também que ele me abençoe e me dê forças. Sim eu queria ser uma pessoa mais forte, que sentisse mais prazer nas coisas simples da vida entretanto, eu não consigo, a vida só me machuca!! Eu tenho medo do futuro, medo do destino, medo do que esta por vir. Eu simplesmente não quero mais!!!
Vou para marte, e lá permanecer, permanecer até meu corpo e minh'alma definharem por completo, até o resquício de vida que ainda insiste em prevalecer em mim se dissolva totalmente. Eu amo a vida só que ela quer se desprender de mim, não tenho mais tanta vontade dela, meus planos para a vida foram triturados, esmagados e eu, só peço a Deus que me faça desenvolver uma aceitação e um modo novo de ver as coisas para que eu possa conseguir ir ate o fim. Vou para marte para não sofrer, para não deixar sofrer quem esta perto de mim, vou para lá me encasular e viver o resto de vida que ainda há em mim.
Que minhas lágrimas rolem a gosto, rolem ao ponto dos meus olhos caírem. Eu não sou feita de ferro e por isso eu choro mas eu choro pelo que esta por vir, sofro por antecedência e por isso dói tanto! Adeus mundo cruel vou partir para outro planeta, um planeta vermelho como sangue, vermelho como está minh'alma neste instante e buscar o que ainda esta subentendido, buscar o que não tive aqui. Mas vou sozinha porque minha companhia é desagradável e só cabe a mim me suportar. Tchau!