sexta-feira, 22 de agosto de 2014

apenas um pouco menos sóbria, e um tanto mais lúcida.

Eu só quero um pouco de álcool no meu sangue, uma tragada, uma agulha na veia pulsante...
Eu só quero um mundo em chamas, um momento anormal, rir pro teto de arco-íris insólito...
Eu não quero mais nada sóbrio. A sobriedade é o estimulo da dor, a putrefação da carne, a destruição dos sonhos. Então me tragam o profano para que eu possa tragá-lo de maneira insana, e rir de forma sarcástica dessa merda que chamam de, existência.
Liberdade!
Dêem-me o gosto doce do liquor emancipatório. Empaturrem o meu sangue, minha mente, meu corpo... livrem-me da maldição dos suspiros, da fadiga.
Libertem-me da sobriedade contida em mim!
A rotina desespero é cruel, ela suga todas as nossas forças e como se não bastasse, deixa para trás alguns respingos para que nosso corpo e mente continuem uma busca incessante de se manter de pé perante a realidade sugadora.
Eu não quero mais isso! Que meu espírito se liberte. Que a realidade desapareça. Que o subjetivo prevaleça. Só assim sentirei o gosto. Estarei lúcida por não estar sóbria; e sóbria por não estar lúcida. E assim quero permanecer: um pouco menos sóbria e por isso , um tanto mais lúcida.