quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Muda,perplexa e estática

Palavras... o que me faltam são, palavras. Sentimentos complexos escorrem do meu ser, mas não tenho ideia, não tenho palavras para descrever. Tornei coisa muda, perplexa e estática. Não consigo pensar, não consigo me mover. Morro todos os dias a cada entardecer, vivo de novo ao amanhecer. Porém, vivo sem vida confesso. Vivo obrigatoriamente porque meus olhos ousam a abrir a cada renascer.Vivo fisicamente, biologicamente entretanto, internamente, lá no interior do âmago - da alma- ,permanece um vazio oco que me mata catastroficamente todos os dias. Um oco de ser que parece ameba encistada : parada, sem objetivo e que só existe porque tem que existir, pra viver. E que vida é essa? Vida sem vida.
Permaneço sólida, aprisionada no meu ser. Não quero causar divergências, dúvidas, opiniões, pena... Não precisa entender, simplesmente porque não precisa! Finja que sou ser fantasmagórico, invisível. Viva a sua vida e me deixa viver a que ainda existe em mim. Eu estou bem mesmo estando tão mal. Passa algum dia eu espero.
O que me retrai completamente é esse engasgo de tudo que não vai embora,que permanece e parece não ter solução! Respostas. Fico sem palavras. Eu queria manter um diálogo comigo mesma, só que elas,- as palavras - desapareceram por completo. E assim permaneço nessa mudez sem respostas, nesse silêncio ensurdecedor.
Caminho todos os dias rumo ao nada, procuro o que talvez nunca vá existir, não me importo e aceito as coisas calada simplesmente pelo fato de que não há o que dizer. Será que sou realmente uma predestinada?
E mesmo restando esse tantinho de vida, tenho a esperança da existência da luz no fim do túnel, de que nada é em vão. Por isso ainda estou aqui mesmo que desfalecida, lânguida a espera de algo que eu ainda não sei.
As cores se movimentam e se fundem num preto fúnebre que me tapa inteiramente. Não sei aonde estou, o que sou, o que quero, para onde vou. Não sei de mais nada, estou cega de tudo. Não sei responder pela falta de palavras. O que me resta é escrever, escrever sem sentido, escrever ao vento, sem pensar, nessa corrente sinestésica e irracional que percorre todo meu corpo ( material e imaterial). É o que me resta para esse resquício de vida. Uma tela de computador, com um espaço em branco em que choro os meus respingos e relato meus devaneios.
Há uma fresta de luz nisso tudo, eu sei que há! Mas tudo ainda está escuro, preto e por isso não vejo e não sinto nada. Não sei se por querer ou pela falta de coragem que aqui permanecem. Quem sabe uma dia a semente ouse a brotar, sair do casulo e venha a conhecer sem medos a vida do mundo la fora. Contudo,  isso é talvez, não é certeza. Enquanto isso o que tenho a dizer é isso e continuar nessa fase da vida: muda, perplexa e estática.

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