segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Mariam e a Cachoeira


O que fazer dessa vida? Quando tudo que parece que está bem, na verdade está mal. Péssimo para dizer a verdade. Como uma cachoeira que cai ferozmente, a misturar na iminência do rio. Sinto-me como aquela espuma, no limiar da cachoeira e do rio: Um turbilhão.
 Um turbilhão de ansiedade, vontades ocultas, mal resolvidas. As criticas e os defeitos insistem em surgir na boca de quem não sabe de porra nenhuma, de nada do que passa dentro de mim... O desassossego, o desalento. Eu achei que as coisas iriam mudar, pelo menos um pouco. Mas não! A vida insiste em escarrar ferozmente seu fervor em cima dos meus ombros.
Sinto-me como Mariam, Frida, Laila... Mas, principalmente como Mariam na desesperança do seu âmago e na certeza que a vida nunca será justa: Nunca... Que ela vai ser assim, essa “coisa” esquisita e dura. Acho que muitas pessoas se sentem assim, na certeza que o amanhã só trará desgosto, angústia, incertezas, “surras”. Não sei ditar o que passa dentro desse coração saudável por fora, porém, machucado por dentro. Ninguém é capaz de entender. Nunca serão... Apegar às fantasias, promessas, àquilo que já passou que poderia ter sido, mas, já foi como o vento de Maio é alimentar ainda mais a prisão que é viver dentro de mim mesma.
 É tanta coisa que não consigo me expressar. Parece mais aquela corrente que bate quando sua alma está incrustada por uma droga qualquer, uma droga que mata o seu corpo, entretanto, que deixa sua mente, alma e espírito lúcidos em relação a tudo o que te rodeia, te permeia, te afeta, te rasga...
 Hoje me sinto assim, como o contato que cachoeira faz quando toca o rio: Um turbilhão. Não sei se passa, vai passar ou passará... Ou se continuarei nessa espera, nessa ansiedade, nessa incerteza. Nessa vida infeliz – porém feliz, pelas pessoas incrustadas de amor por mim – a qual Deus escolheu me colocar, nessa vida injusta e indigna ( ou digna, tanto faz). Essa vida de Mariam.

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