"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."
segunda-feira, 31 de julho de 2023
OLHAR PARA FRENTE...
Quantas vezes terá que olhar para trás para buscar o que já foi? O que foi deixado, abandonado, um protótipo de ser humano vazio jogado, no lamaçal, ao Deus-dará. Quantas vezes mais necessitará do abandono, da solidão, do vazio para aprender a se recompor? A se endireitar, tornar-se acessível, reversível, solução...? Não aprenderá nunca com os erros, seguindo o caminho por tropeços, cega, sem rumo... não sabe onde ir, não tem alicerces a cabeça é dura feito rocha. Como resistiu por tanto tempo eu não sei. Talvez pela falta de referência, reverencia tudo que a vida dá. Mesmo com todo desgosto, a insatisfação a amargura continua indo sem rumo, para o nada. Que pena! A vida bonita aos olhos do criador é catástrofe para quem a vive. Tantas idas e vindas, devaneios, horas perdidas em um simulacro de imensidão que varre tudo o que tem dentro, não sobra nada, só sobra pó. Perdoem-me meus entes, mentores, guias, mas essa vida é dura e ingrata. Quantas mais terei que viver para que o cansaço e a languidez sejam tão insuportáveis para se fazer o movimento e tudo se torne diferente? Todos os abandonos, as incertezas, os momentos vividos e esquecidos valem de quê? Tornar-se melhora, mais forte ou mais fraco e susceptível? O que fazer? Ir para qual lugar? Perguntas giratórias sem resposta e sem motivo. “Levanta-te e anda” – Ele disse-; mas para onde Senhor? – Com toda humildade eu pergunto.
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