terça-feira, 9 de outubro de 2018

Retratos de uma ilusão

Quando entrei em casa, senti uma áurea que tendia a ser prazerosa, mas não foi. Abri a porta, bati os pés no tapete com toda força, como se eu quisesse deixar o mundo lá de fora, lá fora. Fechei a porta, tranquei, respirei profundamente - queria me sentir um pouco viva, a vontade naquela cena cotidiana. E naquele pequeno momento, introduzida no interior de um apartamento qualquer, eu não consegui sentir absolutamente nada! Quando fui adentrando cada vez mais naquele ambiente inóspito, o gosto dos dissabores da minha vida terrena ressurgiram. O que me pareceu de repente foi que um vento muito forte havia arrebentado minha porta da frente e deixado entrar tudo o que eu queria que ficasse de fora. Fiquei pasma, minha alma almejava a muito por um momento de paz, mas parece que não tinha jeito. Fui entrando cada vez mais no interior daquele espaço. Tirei a roupa até ficar semi nua, queria me sentir livre naquele lugar, longe de tudo aquilo que me consumia. Fui até a cozinha, procurei algo para comer e não achei nada. Tentei assistir um filme, uma série e não consegui. Ler um livro... Nada!! Zanzei pela casa procurando algum sustento  (por dentro e por fora), e fui frustrada por não encontrar. Tentei deixar com que aquela cena de privacidade, de pseudo lar me consumissem. Não funcionou. Parecia que o universo não conspirava para a minha estabilidade. Senti um turbilhão de sentimentos: medo, ansiedade, pânico, raiva, tristeza ... E todos se juntaram em um só e se materializaram em um vazio profundo que não me permitia sentir. Deitei em posição fetal, respirei, refleti. Tantos porquês embutidos em mim, tantas inseguranças, medos. Afoguei-me em mim e fui preenchida por um vazio impreenchível. Não se sabe quando um ambiente inóspito se tornará cultivável. Como deixar de fora as coisas irrefutáveis? Internalizada nos meus pensamentos - sentimentos - tão profundos adormeci, naquela ambiente anfêmero, áspero...

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